terça-feira, 22 de março de 2011

Passagem rápida por Mendoza

Semana passada tive que ir à Mendoza (Argentina) a trabalho. Fiquei lá 5 dias em um evento que tomaria 100% do meu tempo. Sabia que iríamos ter alguns eventos de relacionamento com os clientes e que não ia ter tempo hábil para explorar a cidade do jeito que gosto. Realmente estava com razão. O tempo foi corrido, cheio de palestras e atividades, mas felizmente pude ir a dois lugares bem gostosos que queria compartilhar com vocês aqui no U.G.

O primeiro lugar, indicado pelo próprio pessoal do hotel, foi o Azafran - Almacen de exquisitices y vinos. Um lugar bem simpático que possui uma área interna bem charmosa e uma área externa muito agradável, com mesinhas na rua para você comer em um dia de calor. O restaurante possui uma série de pratos típicos argentinos como carnes de vaca e porco. Como estávamos super da dúvida do que pedir, optamos pelo menu degustação para experimentar um pouco de tudo. Aliás, acho sempre este tipo de degustação uma boa pedida quando você tem inúmeras opções gostosas no cardápio e não sabe qual escolher. O menu do Azafran possui 5 pratos - três entradas, prato principal e sobremesa. Aí você pensa em uma pessoa beeeem satisfeita depois de toda essa comilança. Eu!

Para começar veio um bolinho de bacalhau. Com casquinha bem crocante por fora e um recheio bem cremoso de bacalhau por dentro, temperado na medida e nada salgado. Em seguida veio um delicioso e fresco tartar de salmão com uma camada de guacamole ("pasta" de abacate) e finas fatias de pepino. Eu que sou uma "abacatóloga" - hahahaha - amei o prato. Gente, a combinação salmão cru + abacate é perfeita...amei! Por fim, para fechar com chave de ouro os trios da entrada, veio a tão famosa empanada de carne. Não era igual a que minha vó fazia, mas muito gostosa. Pequenos pedaços de carne (nada de carne moída para enganar), ovo e azeitonas. Com um gostinho levemente picante, ainda vinha com um copinho fofo com cubinhos de tomate para acompanhar.




O prato principal era uma boa carne envolta em uma "capa" de massa - que a deixava mais tenra e suculenta - e fina camada de creme de espinafre. Um purê de batata doce acompanhava a carne. Percebi que os purês em Mendoza geralmente são feitos de batata doce. Eu que não gosto muito da combinação doce e salgado, achei a proposta bem interessante.


Quando estava "passando mal" de tanto comer, veio a sobremesa. Tenho um sério problema com doces logo após uma refeição salgada. Não, não pense você que é algum tipo de intolerância.O problema é que não consigo dizer NÃO. Ainda mais quando ele envolve chocolate. Este que veio era uma pirâmide (fofo, não?) de chocolate amargo com um recheio nada básico de doce de leite. Jesus me abana! E para dar uma divertida, um granité (primo da raspadinha) de laranja.


Para minha própria desilusão, neste dia não bebi vinho! Triste, mas estava a trabalho!!!

O restaurante é bem gostoso, o serviço bem simpático e o preço por tudo isso bem honesto. 140 pesos argentinos por pessoa.

Fora este restaurante, tivemos o prazer de conhecer a famosa e tradicional Bodega Familia Zuccardi - um dos pontos obrigatórios para quem vai à Mendoza. O lugar além de ser muito bonito, possui um "tour" para que você conheça a vinícola e o processo de produção de vinho. Muito legal. Você ainda pode participar de uma degustação com os vinhos produzidos na própria bodega com explicação dos enólogos de lá. Não deixe de experimentar o Malbec - vinho feito com a uva ícone da Argentina.

Caso queira, para finalizar, a bodega possui um restaurante muito gostoso que servem carnes de todos os tipos, com opções de mesas dentro do restaurante ou fora, embaixo das parrerias.

Ah! E é claro que existe uma lojinha no local para você comprar quantos vinhos achar necessário.

Foi rápido, mas a visita a estes dois lugares valeram muito a pena!!

Azafran - Espejo 566 - Mendoza, Argentina - Telefone - (0)261 429 4200
Bodega Familia Zuccardi - Ruta Provincial 33, km 7.5 - http://www.familiazuccardi.com/

Fe,

domingo, 20 de março de 2011

Pique-Nique à Beira do Rio



Neste sábado fui no Festival de Queijos e Vinhos de Southbank (Cheese and Wine Festival) com uma amiga. Ótima desculpa para aproveitar o dia maravilho que estava fazendo em Londres e fugir um pouco dos estudos. O festival estava acontecendo bem em frente ao Royal Festival Hall, que fica pertinho da ponte de Waterloo

Foi difícil escolher dentre tantos stands de comidas, das mais variadas: raclette, risotto, sanduíches, queijos, vinhos, doces, pães, bolos, crepes, etc. Além das comidas, havia uma série de aulas para os interessados em gastronomia. Não assisti nenhuma das aulas que eles ofereciam, o que foi uma pena. Deixei para aprender sobre gastronomia na prática: comi um pouco de tudo. O programa de fazer pique-nique em Londres é um must do, ainda que não tenha um festival como esses rolando. Vale para apreciar a paisagem urbana da cidade e curtir um pouquino a beira do Tâmisa, que é linda. É uma pena que em São Paulo nossos rios sejam tão poluídos e desvalorizados. Eu adoraria poder passar uma tarde tomando um vinho, comendo e vendo o rio sem aquele odor de enxofre que todos nós de São Paulo conhecemos tão bem...

Os highlights, na minha opinião:

A raclette, apesar de eu ainda achar a do Borough Market melhor... (Norbiton Fine Chesse Co.)


Os vinhos - tomamos o branco desse Australiano, que estava ótimo (Amelia Park):


As comidas mediterrâneas (comemos alcachofras, tomates secos e mistura de cogumelos) (Gourmet Med - The Mediterranean Delicatessen):


O crepe de ricota (receita polonesa, que parece que é bem comum na culinária judia e tem aos baldes em Nova York) (Blitz Boy):


Os macaroons da Café On, que misturam à culinária francesa os sabores orientais: são tantos tipos, que tive que levar uma caixinha com 5 para poder provar um pouco de tudo:















Flá

sábado, 19 de março de 2011

Descoberta do Brasil


Se para alguns leitores esse post vai parecer banal e sem importância, tenho certeza que outros irão se solidarizar quando eu contar o que aconteceu.

Estava eu andando pelo centro e me perguntei: "Como pode Florença, uma cidade com tanta imigração e de pessoas das mais diferentes nacionalidades não ter uma grande propagação de restaurantes étnicos?". Devo alertar que até agora, não sou capaz de responder essa pergunta. Como hipótese, arrisco dizer que em um país com tradição gastronômica tão forte, os restaurantes étnicos não encontram aceitação. Confesso, porém, que esta resposta não me satisfaz completamente.

Curioso que se por um lado é díficil encontrar restaurantes étnicos, por outro, aqui em Florença é fácil encontrar lojinhas de produtos indianos, árabes, chineses, russos e latino americanos. Já vi latinha de refrigerante Guaraná Antártica até no supermercado e a caipirinha é um dos drinks mais populares dos bares. Todavia, para a minha decepção, nada de comida brasileira. Mesmo um apaixonado pela comida local às vezes sente saudade dos pratos típicos do seu país. Claro que eu não sou a exceção da regra. Sinto muita saudade da combinação "arroz, feijão, bife e farofa", churrasco, suco de maracujá, pão de queijo, acarajé, e como uma boa paulista, também sinto falta de comida japonesa e árabe, o que não deixa de ser cômico.

Para a minha surpresa, hoje descobri um pouco do Brasil aqui na Itália. Uma lanchonete que vende coxinha, pastel, kibe frito, empadinha e brigadeiro... enfim, uma miragem!

O lugar tem uma decoração de gosto duvidoso, mas que não espanta os clientes que aparecem em busca de lanches estrangeiros, já que o cardápio também conta com uma grande seleção de pratos norte-americanos, como os populares sanduíches de bagel.

Ao ver esses salgados no menu, perguntei à vendedora se era tudo verdade. Com dificuldade para pronunciar os nomes dos petiscos, a italiana confirmou. Logo, pedi uma coxinha esperando o pior, mas ao invés disso, recebi o salgado do jeitinho que guardava na memória: casquinha seca e crocante, massa macia e recheio de frango desfiado bem temperado. Um detalhe importante é que a coxinha foi frita na hora, o que sem dúvida garantiu a textura do salgado. Para acompanhar pedi um Guaraná Antártica.



Coxinha + Latinha de Guaraná = só 3 euros!
Não é uma emoção?

Fica na: Via Faenza, 64
Firenze

sexta-feira, 18 de março de 2011

Mercatale da Piazza della Repubblica

A cidade de Florença oferece aos seus habitantes uma série de mercados gastronômicos. Alguns deles funcionam quase todos os dias e outros são eventos esporádicos, que ocupam as principais praças da cidade. Curioso é que os mercados ocasionais mudam o ritmo do espaço urbano, proporcionando uma dinâmica festiva, onde pessoas que normalmente não se cumprimentariam interagem. Isso porque muitos vendedores permitem que os clientes provem os produtos expostos, transformando o lugar em um piquenique a céu aberto.





















Um mercado de rua, já bastante popular, é o Mercatale di Firenze, que ocorre na Piazza della Repubblica. Ele é composto por inúmeras barracas de agricultores da região Toscana, que trazem seus produtos para serem vendidos na cidade "grande". No mercado, é possível comprar diversos tipos de fatiados toscanos (como salame e prosciutto crudo), queijos, azeites e vinhos de pequenas produtoras, especiarias, doces em conserva e marmellata.
Trata-se de um projeto da Comunidade de Firenze em parceria com a Associazioni di Categoria e Associazioni dei Produttori, com o objetivo de divulgar a tradição cultural toscana. A boa notícia para os consumidores, é que se pode comprar tudo direto da fonte, com a certeza que é mesmo fresco.
Um dos ingredientes mais comuns no mercado é o queijo pecorino, que vem em diversos tipos: fresco, semi-fresco, stagionato (temperado) ou mesmo trufado. Foi lá que a Flávia comprou os ingredientes para fazer a pasta alla carbonara em Londres. Na União Européia, os produtos podem circular livremente, o que é um ótimo benefício para quem mora aqui.






















Recomendo experimentar os Necci, uma comida típica da região das montanhas do Appennino toscano, que são preparados por dois idosos carini. Considerado o "primo pobre" dos crepes franceses, os necci são finas panquecas (frittelle), feitas com farinha de castanha, água e sal. Depois de prontas, as panquecas tradicionalmente são recheadas com ricota fresca. Uma delícia!




















Vale lembrar que a castanha, assim como o vinho e o azeite, representa um dos ingredientes mais importantes da culinária toscana. Especialmente nas regiões de montanha, o trigo era um ingrediente raro, então, o povo fazia o pão e a pasta com a farinha de castanha. A colheita é feita em outubro e depois, com a castanha, é feita a farinha, la crema di marroni, dentre outros produtos. É fascinante ver os vendedores ambulantes de marroni invadirem a cidade com os seus carrinhos, propagando um cheiro maravilhoso pelas ruas da cidade. Talvez seja o evento mais marcante da mudança de estação.


Só de recordar, me deu até água da boca. Vou aproveitar que amanhã tem feira e passar lá!

Calendario de 2011
Sábado 19 Março (edição extraordinária)
Sábado 2 April
Sábado 23 April (edição extraordinária)
Sábado 14 Maio
Sábado 4 Junho
Sábado 2 Julho
Sábado 3 Setembro
Sábado 1 Outubro
Sábado 5 Novembro
Sábado 3 Dezembro
Sábado 17 Dezembro (edição extraordinária)

Local: Piazza della Repubblica
Horário: Das 8:00 às 19:00

Omaggio ai 150 anni dell'Unitá d'Italia: La Carbonara

Queridos leitores, não pensem vocês que, por ser o carbonara um prato comum, que este post foi feito apenas para preencher o espaço do blog em um dia sem muito o que falar. Ao contrário, este post demandou muito estudo da que vos escreve.


A ideia
A Dani chamou-me a atenção ao fato de que precisávamos escrever sobre o molho carbonara, porque ele remetia origem aos Carbonari (carvoeiros em italiano), uma sociedade secreta revolucionária que inspirou os ideais de unificação da Itália. Tendo em vista o aniversário de 150 anos da unificação italiana, decidimos fazer um post gastronômico para homenagear a cozinha italiana. Decidi ler sobre o assunto e vi que a origem do prato era, na verdade, bem controvertida e que talvez não fossem os Carbonari que teriam criado a iguaria. Seja quem for que tenha inventado o prato, tem a minha eterna gratidão.
Em minha viagem à Florença, comprei um queijo pecorino (um tipo de queijo de ovelha) e um pezzi di guanciale (parte da bochecha do porco, que um amigo meu italiano tinha me dito que era melhor para fazer o carbonara), que comprei num mercado de rua (a Dani deverá escrever em breve um post sobre ele). Eu já havia feito algumas vezes o molho carbonara, mas sempre fiquei na dúvida se estava fazendo do jeito certo. Agora que eu fiz de novo, vi que havia muito para eu melhorar na execução da receita.

La scelta (a escolha)
Ainda mais controversa do que a origem do prato, a execução da receita é tema polêmico entre os entendedores da gastronomia. Longe de mim querer estabelecer regras, muito menos achar que o meu modo de execução é o mais adequado. Em se tratando de carbonara, o único consenso é: JAMAIS (entenderam? Jamais!!!) coloquem creme de leite no molho. Isso é uma heresia tão grande quanto cortar o macarrão com a faca. Tenho certeza que se eu fizesse isso, meus ancestrais italianos puxariam meus pés à noite.
Depois de conversar com entendedores do assunto (italianos da gema), estudar receitas e assitir o youtube por horas, descobri que os temas mais controvertidos em termos de carbonara são: se a receita leva ovos inteiros ou só as gemas (ou mesmo os dois), se deve-se colocar pecorino, parmesão ou os dois e se é melhor bacon, pancetta ou guanciale.
Fiz um pouquinho de tudo sem me preocupar muito em me fidelizar a um método ou outro, mas em preparar algo que agradasse o paladar.

A minha receita
(Nem preciso dizer que virou uma colcha de retalhos… Usei uma de um site como base e dei uma adaptadinha…)

Ingredientes:

4 gemas + 1 ovo inteiro
100 g de queijo pecorino
150 g de guanciale picado
320 g de spaghetti (ou outro tipo de massa – vide abaixo)
2 colheres de sopa de azeite de oliva
2 conchas de vinho braco
Pimenta-do-reino a gosto
Sal a gosto (coloquei um pouquinho só na água que vai a massa para cozinhar – tome cuidado para não colocar muito, pois o queijo e o guanciale já são salgados)

Modo de preparo:
Comecei picando o guanciale e ralando o pecorino. Depois, coloquei a água no fogo para cozinhar a massa. Até aí, sem segredo (qualquer um que consegue esquentar leite no microondas faz). Preparei numa panela o guanciale: coloquei uma colher de azeite de oliva e depois fritei o guanciale. Dá para derreter o guanciale na própria gordura, mas como eu vi umas receitas que ia o azeite mesmo assim, decidi testar. E achei bom. Deixei a cor mudar um pouquinho e antes de ficar dourado e crocante, coloquei o vinho. Deixei o vinho evaporar e reduzir. O cheirinho é maravilhoso. Fui fazendo tudo ao mesmo tempo: fritando o guanciale, vendo se a água estava fervendo para colocar a massa e preparando os ovos. Os ovos: bati tudo com um fouet (aquele instrumento de cozinha que serve para bater as coisas - pode usar um garfo também, claro) até ficar homogêneo, adicionei o queijo ralado e a pimenta-do-reino. A sincronia de a massa ficar pronta quando os outros ingredientes estão prontos é importante, porque é o calor da massa que vai dar a liga do molho. Se o guanciale ficar pronto antes, pode deixar um pouco de lado (desligue o fogo e espere a massa ficar pronta). O que é importante é que a massa não fique pronta antes. Quando tudo ficou pronto, escorri a massa deixando um pouco da água e misturei tudo. Dá um certo desespero de ver aquela água ficando branca... Pensei: ih, vai ficar com gosto de água de ovo – eca!, mas no fim, tudo se mistura e fica lindo: o queijo derrete, o ovo cozinha com o calor da massa e você logo vê que a liga cremosa dispensa completamente um creme de leite.

Dicas
Para quem não pode ir até Florença (ou em um supermercado de importados) para comprar o pecorino e o guanciale, pode substituir esses ingredientes por queijo parmesão e bacon (tem um que vem no pacotinho e já vem cortado, super prático). O resultado não é o mesmo, mas já dá para o gasto. Só, por favor, não use aquele queijo parmesão ralado que parece pó salgado! Para a massa, pode usar spaghetti, buccatini ou rigatoni.

Florença pronta para homenagem aos 150 anos de unificação italiana


Alguns vídeos explicativos (em inglês ou em italiano) que talvez ajudem:

Buon appetito!

Um agradecimento especial aos meus amigos Alessandra e Andrea, que me deram dicas fantásticas sobre a execução da receita. Se eu não perguntar para os italianos, para quem mais vou perguntar?


Flá

quarta-feira, 16 de março de 2011

Grata surpresa

Um amigo meu sempre me falou de um tal restaurante nordestino que ele adora aqui em São Paulo e queria que eu conhecesse. No último sábado, quando finalmente tivemos um tempo para ir lá, fui previamente alertada: o lugar é longe de casa, o restaurante é simples e a mesa tem toalha de plástico. Ok, tudo certo! Se a comida é boa, estou dentro! Então, saímos de Higienópolis rumo a Interlagos para ir ao Feijão de Corda 3 - 3 porque além desta unidade que fomos, existem mais duas pela cidade.

O cardápio do restaurante possui todos os pratos tradicionais que um bom restaurante nordestino deve ter: carne de sol com manteiga de garrafa, feijão de corda, buchada, caldo de mocotó com fava, entre outros. O restaurate trabalha com sistema a la carte e você pode pedir algumas porções para compor o prato ou pode simplesmente pedir uma das opções executivas que servem bem duas pessoas. Cheguei lá com muita fome (não tinha tomado café da manhã) e achei que um prato para dois não ia dar...deu, sobrou e ainda saí com aquela sensação "passando mal" de tanto comer.

O André (meu amigo) sugeriu que pedíssimos o executivo de carne de sol, mandioca, feijão de corda e arroz. Para beber, pedimos uma cervejinha Original de garrafa.

Como não queríamos estragar o apetite com petiscos, pedimos direto a comida, mas alertei ao garçom que estava verde de fome e ele me assegurou que tudo chegaria bem rápido. Dito e feito. Em menos de dez minutos lá estava nosso prato, no melhor jeito "tudo junto e misturado".




O que posso falar? Não lembro da última vez que comi uma comida nordestina tão gostosa e saborosa como aquela. Tentei puxar na minha memória, mas não lembrei mesmo. O feijão de corda além de vir no ponto perfeito, vem divinamente temperado com coentro, cebola, tomate e uns micro cubinhos de bacon frito que visivelmente nem aparece no meio de todos os ingredientes....mas quando você coloca na boca, parece que aquele sabor explode e dá um gosto incrível. A carne de sol vem em finas fatias acompanhadas com uma mandioca tão bem cozida que fica mais parecendo um purê. Gente! O que é aquilo? Comi três pratos seguidos de vários "humms", "nossa", "é muito bom" e por aí vai. Eu que gosto de pimenta também coloquei umas gotinhas da pimenta local que eles têm lá. Muito boa!

De sobremesa, pedi um pudim de leite que veio geladinho, aerado e com uma caldinha de caramelo delícia!


Depois de agradecer mil vezes ao André dele ter me levado lá, a conta veio linda! O almoço todo, com tudo que falei para duas pessoas deu R$46,00, ou melhor, R$23,00 por pessoa. Incrível, né? Adoro achar estas pechinchas por São Paulo! Ah! E um fato pouquíssimo comum por aqui...o valet é de graça!! Muita emoção em um único almoço.

Na volta para casa, voltei pensando no que tinha sido aquele almoço, o quão gostosa era a comida deles e o quanto eu sou gulosa e tinha comido exageradamente! Hahah! Mas vale cada km rodado e cada caloria ganha. Com certeza!

Em tempo: se você for lá. não recomendaria atividades extras pós almoço. O negócio é ir para casa e ficar jiboiando em frente da TV mesmo. Faz parte do ritual.

Bjs, Fê

Feijão de Corda III - Endereço: Avenida Engenheiro Alberto de Zigottis, 327

terça-feira, 15 de março de 2011

Mercado de Kuznechny, em São Petersburgo



Quando estava em São Petersburgo e procurava pela casa do escritor Dostoiévski, me deparei com um grande mercado chamado Kuznechny. Sem pensar duas vezes, entrei. Afinal, nada como uma visita a um mercado local para conhecer a base da culinária de um lugar. É uma experiência que sempre procuro fazer quando viajo e acabo aprendendo bastante sobre a região.




Como em todo food market, no Kuznechny, é possível comprar não apenas frutas e verduras frescas, peixes e carnes, mas também produtos básicos da cozinha russa, como sour cream, queijo, mel e uma variedade incrível de cogumelos e caviar. Já falei aqui que na Rússia, o caviar não é comida de granfino como no Brasil, no entanto, para nós chega a ser um pouco chocante ver a quantidade e variedade de caviar à venda no Mercado. Dá até vontade de comprar um pouco de cada para fazer uma degustação. Acabei apenas experimentando deliciosos docinhos de amêndoas com mel que me foram oferecidos pelos simpáticos vendedores.


Surpreendente mesmo, no entanto, é notar a existência de diversos estandes vendendo produtos da Ásia Central e do Cáucaso. Logo, precebe-se como a culinária de um povo retrata também sua história e suas relações sociais, já que a ex-União Soviética não apenas proporcionou a miscigenação cultural, mas também uma rica e poderosa mistura gastronômica. Sendo assim, a cozinha russa assimilou temperos, ingredientes e receitas dos povos que também fizeram parte da União Soviética, transformando-se em um ponto de encontro da sociabilidade do gosto.


Fica na: 3 Kuznechny Pereulok
São Petersburgo

Dani