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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Gelateria Santa Trinita


Mal o verão começou Florença e os termômetros já estão marcando 30 graus! Bem que me avisaram que aqui faz muito calor. Depois de um terrível inverno, não vou reclamar. Nada melhor que tomar um gelato para me refrescar. Descobri a Gelateria Santa Trinita recentemente e posso dizer que ela conquistou o meu estômago.
Lá, todos os sorvetes são preparados com ingredientes frescos e de altíssima qualidade. O cacau, por exemplo, vem da América Central, o café da Colômbia e o pistache da Sicília. O sorvete de chocolate parece um mousse!


O lugar é lindo. Perfeito para fazer um pit stop no meio de uma caminhada. Como fica em Oltrarno, isto é, do outro lado do rio Arno, é uma região sem tantos turistas. Até por isso, o preço do sorvete é bem mais honesto. Para quem visita a cidade, a dica é explorar a região, como passear por Santo Spirito e Borgo di San Frediano, pelas lojinhas de artesanato.


Piazza Frescobaldi, 11-12/r (Ponte Santa Trinita)
50125 - Firenze
Tel. 055 2381130

terça-feira, 31 de maio de 2011

O melhor gnocchi de Florença

Comer um prato de gnocchi perfeito em restaurante é uma tarefa quase impossível. Já escrevi aqui no blog que este é um prato típicamente familiar, feito pela nonna aos domingos. Os bons restaurantes evitam oferecê-lo porque é trabalhoso demais e incompatível com uma rotina intesa. Outros oferecem a versão congelada que não tem comparação com os gnocchi fatti in casa. Por este motivo preciso celebrar e contar aqui no blog que encontrei o melhor gnocchi de Florença. Onde? No Buca Mario!
Sei que já escrevi um post sobre esse restaurante, mesmo porque o Buca é o meu restaurante favorito na cidade. Só que ainda não tinha provado o gnocchetti di patate fatti in casa e que foi aprovado no teste com louvor.
Como a minha mãe pediu o gnocchi al pomodoro e basilico e eu o al gorgonzola, provei os dois. Deliciosos! Embora o gorgonzola seja um queijo pesado e de gosto marcante, o molho estava super suave. Claro que não é um prato light, mas é tão gostoso que compensa as calorias. Como antipasti recomendo a insalatina di carciofi, rucula e grana e de sobremesa torta di frutti di bosco.




Piazza Ottaviani, 16 r
Florença
Tel: 055214179


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Duas lojas para equipar a sua cozinha, em Florença

O sonho de todo cozinheiro é ter uma infinidade de gadgets de todos os tipos. Aqui em Florença, existem várias lojas deste tipo. No entanto, resolvi escrever um post sobre duas lojas de departamento que ficam no centro da cidade. Portanto, o acesso a elas é fácil, mesmo para o turista que vai passar pouco tempo na cidade. As escolhidas são La Rinascente e a Coin.

La Rinascente foi fundada no ano de 1865, em Milão, pelos irmãos Bocconi com o nome de Aux Villes d'Italie. O modelo era a famosa loja de departamento parisiense Le Bon Marché, que, em 1838, lançou a proposta de loja completa. A inspiração surgiu das famosas galerias que modificaram a arquitetura e os hábitos da população das metrópoles no século XIX. Um lugar onde o comprador pode perder a noção do tempo, caminhar de seção por seção, adquirindo produtos e relizando delírios de consumo. A loja passou por tempos de crise durante a Grande Guerra e, em 1917, contratou o famoso poeta Gabriele D'Annunzio para renomear a loja. O nome escolhido foi "La Rinascente", que não apenas marca o renascimento da loja, mas também tem significado político. D'Annunzio desenhava um projeto utópico para a Itália pós-guerra. A Itália deveria transformar-se em uma grande potência e fazer renascer o seu passado de glória com um caráter moderno. La Rinascente com o passar dos anos foi vendida para grandes corporações, conquistou Roma, Florença, Catania, Calgari, Genova, Palermo, Genova, Padova, Monza e Torino e se afirmou como uma das marcas mais importantes da Itália. Vamos ao que interessa? Em Florença, o departamento para casa fica no 3 andar. Tirei algumas fotos para vocês terem uma idéia do que dá para achar lá.



Forma de silicone para bolinhos


Espátulas que não estragam a frigideira




Colheres tortas!





Veja que tirando as máquinas de café expresso, não existem muitos eletrônicos à venda. Malgrado este detalhe, lá é possível encontrar objetos de decoração para a mesa e cozinha, assim como talheres, pratos, copos, travessas e toda a parafernalha que os cozinheiros adoram.

A outra loja é bem mais modesta. A Coin é uma loja de departamento que fica na Rua Calzaiuoli, região central de Florença. Que eu saiba, não tem nem o prestígio, nem a pompa da La Rinascente. Todavia, está ali, no coração da cidade, e cheia de gadgets de enlouquecer.

Decoração de páscoa
Tudo para a mesa

Cestas para pique-nique


La Rinascente
Piazza della Repubblica, Florença

Coin
Via Calzaiuoli, 56, Florença

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Croissant do Café Cavalli


Sempre sonhei em ter uma Lambretta vermelha, mas quando mudei para Florença, logo fui proibida de fazer semelhante aquisição. Sou super descordenada, distraída e atrapalhada. Levo tombos o toda hora e já bati o carro várias vezes. Diante desse histórico, meu pai afirmou "nem bicicleta você pode comprar, no máximo triciclo". Resultado: nunca andei tanto na minha vida. Todo dia faço uma caminhada de mais de 40 minutos para chegar à faculdade. Acordar cedo e andar por 40 minutos é um terrível sacrifício, então, me presenteio com o melhor croissant de Florença no caminho! Tá, eu sei... não deveria, juro que não consigo resistir.
Essa delícia fica no Caffe Giocosa, mais conhecido como "Café Cavalli". Entro rapidamente, peço pelo meu croissant vuoto (isso é sem recheio), pago 1 euro e vou contente para a aula.


O Café Cavalli tambem serve almoço no balcão, gostoso e relativamente barato.
Vale a pena conferir.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Escola de culinária - La Pentola delle Maraviglie

Hoje será a minha estréia na coluna Peripércias na Cozinha, do blog. Antes de mais nada, confesso que sou bem menos gifted na cozinha que minhas amigas, até porque é difícil competir com elas. A Dona Fernanda faz um gazpacho dos deuses (entre outras coisas) e quem já experimentou alguma das sobremesas da Flávia sabe que, além de parecerem obras de arte, são uma perdição. No entanto, sou um bom garfo, esforçada e um dia chego a chef!

Como um incentivo ao meu aprimoramento na cozinha, ganhei um presente incrível de Natal, do meu tio Michael: um curso culinária regional na escola La Pentola delle Maraviglie, de Barbara Desderi. Não é demais?


A escola propõe diversos tipos de cursos e para todos os níveis (do iniciante ao avançado), nos quais o aluno sob orientação da chef, preparam os pratos e depois fazem a degustação. Os cursos são divididos em módulos, sendo que alguns deles são: cozinha regional, pão e focaccia, peixes, doces, crepes, sorvetes, alta cozinha, dentre outros. A aula dura mais ou menos 3 horas e o clima é bastante descontraido. É uma idéia bacana, não só para quem mora na Itália, mas também para turistas que querem conhecer com mais profundidade a cultura gastronômica do país. Para quem viaja sozinho e não tem coragem de ir em bons restaurantes by yourself, é uma oportunidade de conhecer pessoas novas e de comer bem.

A minha primeira aula foi na semana passada e o tema era Cucina Piemontese. Para quem não sabe, o Piemonte fica no extremo norte da Itália. A região é um importante pólo industrial do país e, até por isso, bastante desenvolvida. Todavia, o Piemonte não é só conhecido por suas fábricas, mas também pela tradição gastronômica. Terra do vinho Barolo, do tartufo, da carne de alta qualidade e dos queijos. Pode-se dizer que pela localização geográfica, a culinária piemontesa é bastante influenciada pela francesa, mas também, por uma questão histórica, pela culinária da Sardenha.



A idéia do curso de culinária regional é bastante interessante: aprende-se a fazer um refeição completa com pratos tradicionais da região escolhida.

Sendo assim, preparamos como primo piatto, um delicioso Gnocchi al Castelmagno. Para o secondo piatto, fizemos Faraona Ripiena al Barolo, isto é, galinha de angola recheada de carne de porco, pancetta, arroz, ovos, cebola, alecrim no vinho Barolo.















Como acompanhamento para o frango, Cipolle al Forno con Bagna Caoda.



Para sobremesa torta di nocciole, ou seja, bolo de castanha com creme.


Dos pratos, o meu favorito foi o gnocchi. A Barbara Desderi me alertou para o fato de que é um prato tradicionalmente doméstico. A família italiana se reúne na cozinha antes do almoço de domingo para preparar o gnocchi. Trata-se de um prato que deve ser feito na hora e a rotina intensa dos restaurantes dificulta a realização deste processo. Por esse motivo, poucos bons restaurantes o servem gnocchi, ao passo que em outros utilizam o produto congelado. Isso explica o fato que nunca encontro gnocchi tão bom quanto o da minha nonna!

Então, por isso, resolvi traduzir a receita e passar para vocês. Como alguns dos ingredientes não são faceis de se encontrar alhures, também vou passar algumas dicas para "adaptação" da receita.

Gnocchi al Castelmagno

GNOCCHI AL CASTELMAGNO

1 Kg de batatas "a pasta bianca"
300 gramas de farinha
1 copo de vinho branco seco
150 gramas de queijo castelmagno
25 gramas de mantega
sal
pimenta do reino

Modo de preparo:

Ferva as batatas com a pele em água fria. Depois de fervida a batata, descasque a pele e amasse a batata. Misture a farinha, o sal e a pimenta. Enrole a massa em "tubos" compridos. Com uma faca, corte o gnocchi.




Para o molho, derreta a manteiga em uma panela, adicione o queijo castelmagno ralado e o vinho branco. Deixe cozinhar em fogo baixo por 5 minutos, mexendo bastante com a colher (é importante não deixar o molho parado na panela).

Tempere com o sal e a pimenta do reino.


Cozinhe o gnocchi em água fervente com sal e sirva com o molho de Castelmagno.

Dicas:
Quem já esteve em um food market, na França, Suiça, Alemanha percebeu a divesidade de tipos de batatas expostas. Parece uma coisa de outro mundo, tem batata especial para gnocchi, purê, rosti, entre outros pratos. Um paraíso! Infelizmente, essa não é a realidade mundial. No Brasil, assim como em outros países, não se encontra a batata "a pasta bianca", que é perfeita para o preparo do gnocchi. Então, sofremos para encontrar batatas que não sejam aguadas e que não precisem de muita farinha para ganhar consistência, o que tira o gosto de batata. Minha avó que é especialista em gnocchi (faz o melhor do mundo!), conhece muito bem a dificuldade para a realização do prato no Brasil. Por isso, recomenda sempre escolher sempre batatas de tamanho médio e até misturar variedades. Meio quilo de batata "para nhoque" e meio quilo de batata rosa por exemplo. Como nada é garantido, é preciso ter atenção na consistência da massa e fazer o teste na panela (isto é, coloque alguns gnocchi na panela com água fervendo e veja se sobe). Outro segredo de avó é um pouco de noz-moscada ralada na massa. O ingrediente não consta na receita da Bárbara Desderi, mas fica uma delícia.

O maior problema é o queijo. O castelmagno é considerado o rei dos queijos do Piemonte. O sabor é encorpado, bastante granulado e macio. Mas onde é possível encontrar o queijo Castelmagno fora da Itália se nem fora de Piemonte é fácil encontrar esse queijo? Pois é, na Itália, eles acabam abastecendo apenas uma pequena região de um determinado produto, o que faz com que seja necessário adaptar a receita. Uma boa alternativa é substituir pelo gorgonzola (novo). O castelmagno é na verdade mais macio que o gorgonzola, então talvez isso altere o tempo do molho do fogão.

Buon Appetito!


Site da escola de cucina La Pentola delle Maraviglie: http://www.lapentoladellemeraviglie.it/


Agradeço ao meu tio Michael, por sempre acreditar e incentivar o aperfeiçoamento dos meus dotes culinários. Quem sabe um dia serei tão boa pilota de fogão como ele!

domingo, 17 de abril de 2011

Feira Gastronômica na Piazza Santa Maria Novella

Nada mais gostoso que comer na praça em um domingo de sol, e foi isso que fiz hoje. Aproveitei que o dia está lindo e que está acontecendo uma feira gastronômica na Piazza Santa Maria Novella e lá fui eu. Achei que estaria uma muvuca, já é uma região bastante turistica da cidade, do lado da estação central. Enganei-me. Super bem organizada, sem filas. Perfeita para um programa "sem stress".



Depois de uma volta pelo pequeno mercado, escolhi um hotdog de salsicha würstel, uma porção de batatinhas e pronto! Como diz a Flá "Pique-nique na praça". Estava muito gostoso. Foi fácil, também, achar lugar para sentar. Só alerto que não tem sombra, mas quem liga para isso depois de um terrível inverno? Queremos mesmo é aproveitar o sol!


meu almoço
Depois aproveitei para degustar alguns produtos artesanais e fazer umas comprinhas. No mercado, tem barraca de queijos, de produtos toscanos, sicilianos, de gelato, de vinhos, marmeladas e doces. Tudo é artesanal.


geléias artesanais
produtos em conserva

salames e queijos


morri por essas alcachofras


tadinho!
Apaixonei-me pela barraca de tartufi! Tinham tantas pastas diferentes para provar e comprar, que quase fiquei louca. Tartufi con Funghi Campignons, Tartufi con Carciofi, Tartufi con Funghi Porcini entre outras opções. Comprei algumas até para dar de presente.

Perdição: Pastinhas de Tartufi


Ah O mercado acontece até o dia 25 de abril.
Local: Piazza Santa Maria Novella, Florença

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Buca Mario

Desde que cheguei na cidade, o ristorante Buca Mario me chamou a atenção. Trata-se de um dos restaurantes mais antigos de Florença, aberto em 1886. O restaurante foi idealizado por Mario Corsini, com a proposta de apenas servir pappa al pomodoro e ribollita na cantina do palazzo Niccolini.
No Brasil, estamos acostumados com a idéia de comer em "cantinas italianas", só que na Itália essa idéia não tem nada de comum. O termo "cantina", na Itália, é usado para nomear o lugar onde se guarda vinhos, isto é, uma adega. Como os vinhos devem ficar protegidos do calor e a invenção da adega climatizada é coisa recente, geralmente se escolhia o porão para o estoque de vinhos, salames, entre outros condimentos.
Os imigrantes italianos no Brasil muitas vezes aproveitavam-se da cantina para servir pratos típicos da culinária do seu país e com isso encrementar o orçamento. A idéia deu tão certo que hoje o termo "cantina" para os brasileiros é sinônimo de restaurante. Todavia, aqui o termo não tem o mesmo significado. Sendo assim, se pedir a indicação de uma "cantina" para um italiano, provavelmente ele não vai entender a pergunta.
Isso não quer dizer que na Itália não existam restaurantes na cantina, mas só não é um fenômeno comum, mesmo porque a cantina não é um lugar considerado sofisticado.
Talvez aí o sucesso do Buca (buraco) do Mario, que servia tradicionais pratos da cucina povera toscana, no coração de Florença. O lugar ficou famoso e ganhou respeito dos maiores experts do assunto. Hoje o espaço permanece quase inalterado e consagrado como um dos mais antigos e tradicionais restaurantes da vera cucina toscana. Tão bom que já é um clássico na vida dos fiorentinos e como indicado do guia Michelin.

Uma das salas do restaurante Buca Mario
A primeira vez que fui lá foi com a Flávia. Eu pedi o risotto ai funghi porcini e a Flá optou pelo bocconcini di vitella al vino bianco con puré. Definitivamente este foi o melhor risotto ai funghi porcini que já comi na Toscana, ou melhor na vida! Cremoso, mas com estrutura e sem miséria no funghi. Óbvio que não pude deixar de provar a vitella da Flá, que estava se desfazendo na boca.

Risotto ai funghi porcini

Bocconcini di vitella al vino bianco con puré

A adega do restaurante Buca Mario, conta com uma excelente seleção de vinhos. Nós optamos por um vinho tinto Morellino di Scansano (2009), produzido com uvas sangiovese. O atendimento foi impecável. Quando mencionamos que não sabíamos se queríamos pedir tiramisù ou a torta de frutas vermelhas, o garçom resolveu o problema trazendo uma meia porção de cada tipo para nós.


Só que as porções ainda assim eram grandes, só não vou dizer satisfatórias porque poderia comer travessas inteiras dos doces.

Meu sonho de consumo!

Tudo estava maravilhoso!
O único problema da noite foi um outro garçom, que não estava nos servindo, paquerou a Flávia descaradamente a noite inteira. A situação chegou em tal condição que a gerente do restaurante nos presenteou com dois aventais da casa. Hahaha! Preciso levar a Flávia em mais restaurantes...

Imperdível!


Dani

Piazza Ottaviani, 16 r
Tel: 055214179
Aberto todas as noites, no sábado e domingo tambem no almoço

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Já é Páscoa na Lindt


A Páscoa sempre foi o meu feriado favorito. Por incrível que pareça, isso nada tem a ver com o motivo religioso do feriado. Na verdade, gosto de sentir o cheiro da nova estação, a sensação de mudança e da prática de um ritual ingênuo e acolhedor. Por tudo isso, a Páscoa sempre foi um momento carino das lembraças da infância. Então, quando as decorações de Páscoa começaram a surgir nas vitrines dos cafés, lojas e docerias de Florença, fui tomada pela nostalgia desses momentos da infância. A Lindt já é uma perdição e assim, fofa, quem pode resistir?




Piazza del Duomo, 15
Firenze, Itália
Tel: 055/285181

quinta-feira, 31 de março de 2011

Giubbe Rosse - O Café Futurista



Quem pensa que Giubbe Rosse, na Piazza della Repubblica, em Firenze, é só um café charmoso, se engana. O lugar é, na verdade, muito mais do que isso. Trata-se do mais célebre caffé storico letterario italiano.

O negozio foi aberto em 1896, como um Café-Birreria dei Fratelli Reininghaus. Os fiorentinos encontravam dificuldade em pronunciar o nome estrangeiro e acabavam dizendo "andiamo da quelli delle giubbe rosse", isto é, "vamos naquele das jaquetas vermelhas". Sendo assim, em 1910, o café foi re-estruturado ao estilo liberty e recebeu o novo nome "Giubble Rosse", inspirado nas jaquetas vermelhas dos garçons.

A decoração moderna agradou os intelectuais, como Vladimir Lenin, Gordon Craig, André Gide e Medardo Rosso, que logo começaram a frequentar o lugar. Conta-se que Lenin era obcecado em jogar xadrez nas mesas do café.



Rapidamente o Giubbe Rosse virou ponto de encontro oficial da elite, intelectuais, jornalistas, políticos, artistas e escritores futuristas. Frequentado por Papini, Soffici, Marinetti, Umberto Boccioni, Luigi Russolo, Palazzeschi, Carlo Carrá, entre outros entusiastas do movimento de vanguarda italiano. Por lá aconteciam as reuniões literárias dos principais grupos futuristas e das mais importantes revistas da época, como "La Voce", de Prezzolini e De Robertis.



Com o início da Segunda Guerra Mundial e a ascensão do fascismo, o clima do café mudou bastante. Perdeu o tom alegre e revolucionário das discussões e a jaqueta vermelha foi trocada pela branca. Apesar disso, manteve-se como ponto de encontro dos intelectuais, como o grupo "Solaria", Pratolini, Henri Cartier-Bresson, Umberto Saba, Elio Vitorini, Curzio Malaparte, Dylan Thomas, Erza Pound e tantos outros. Com o fim do fascismo, a famosa jaqueta vermelha voltou a cena e dessa vez (espera-se) para ficar. Deste modo, o Giubbe Rosse se transformou em um mito vivo da cidade.




É verdade que a atmosfera do lugar não parece mais tão moderna aos olhos de hoje. Não tem mais o esplendor de outrora, assim como dificilmente encontrará as acalouradas discussões estéticas e políticas do início de 1900. Contudo, ainda hoje acontecem reuniões literárias por lá e o café preserva uma curiosa decoração futurista. As paredes são repletas de quadros, matérias recortadas de jornais, revistas literárias, fotografias dos intelectuais e livros futuristas. Um verdadeiro arquivo histórico, ou melhor, café histórico! Se lembrarmos que os futuristas revolucionários queriam mesmo incendiar as bibliotecas e museus, nada melhor que preservar um pouco da história desse movimento no Giubbe Rosse.

A minha sugestão é deixar as mesas externas para os turistas, entrar no café, seja para tomar um aperitivo ou apenas um expresso, e deixar-se contaminar pela atmosfera nostálgica das vanguardas.

Piazza della Repubblica, 13, Firenze.
Tel: 0055 212280