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quinta-feira, 26 de julho de 2012

I bloody love Pimm's

Além da chuva, o maior símbolo do verão inglês é a famosa bebida chamada Pimm's. Em todo lugar você encontra os coquetéis que parecem uma sangria: Pimm's, frutas, hortelã e às vezes pepino. Extremamente refrescante, não lembro de nenhuma vez que eu não tenha tomado Pimm's que não tenha sido ótimo. 
A Pimm's era começou como uma bebida digestiva servida no oyster bar do Sr. Pimm e começou a ser vendida em alta escala em 1851. Hoje ela pertence ao grupo Diageo e é uma das melhores coisas do verão daqui.



Esta daqui eu tomei no Little Angel em Henley, na semana da Royal Regatta. A Royal Regatta é um evento anual socio-esportivo dos mais emblemáticos da Inglaterra. Vale a pena ir não só pelo esporte, mas também para ver as pessoas vestidas em alto estilo, com  paletós listrados típicos dos times de remo (para os homens) e chapéus e fascinators (uma espécie de tiara com adornos que lembram um chapéu). A cidade é muito bonitinha e vale a visita mesmo quando a regata não está acontecendo. O acesso é bem fácil, basta pegar um trem em Londres e em 45 minutos você está lá.


Foto do site do Little Angel
Desta vez, fui ao Little Angel só para bebericar a Pimm's, mas o cardápio deles tem ótimas opções de comida. O pub é um charme e vale a visita.


Foto do site do Little Angel


Sites:


Little Angel:
http://www.thelittleangel.co.uk/


Henley Royal Regatta:
http://www.hrr.co.uk/


Pimm's
http://www.anyoneforpimms.com/


Flá
Um agradecimento mais do que especial à Eileen, que me fez o convite para ir ao Little Angel, e à minha amiga Mel, que me acompanhou ao evento.

domingo, 15 de julho de 2012

Degustação de Vinhos na Alsácia, França

Esse UG está mesmo andarilho... Na minha viagem à região da Alsácia, aproveitei para fazer um passeio pelas cidadezinhas perto de Colmar. Consegui o passeio indo procurar no centro de informações turísticas da cidade. Escolhi um tour de um dia inteiro que passava por vários vilarejos e incluía uma degustação dos vinhos regionais. 
Você pode fazer passeios que duram apenas um período do dia também. A rota que eu fiz incluiu a visita a Kaysersberg, Ribeauville, Haut-Koenigsbourg (castelo) e Riquewir. O passeio valeu muito a pena, as cidades são uma mais linda que a outra. A degustação foi feita em uma vinícola local, a Gustave Lorentz. 


Para quem está mais interessado nos vinhos do que no passeio, talvez valha buscar umas visitas às vinícolas em sí. Tudo o que fizemos foi provar diversos vinhos locais e receber algumas dicas dos guias quanto à harmonização desses vinhos com a comida. Nada mal, não é, mas não vimos nada da elaboração do vinho.

Os vinhos da Alsácia normalmente são mais doces e vão bem com as comidas locais como foie gras e escargot. O riesling é uma boa opção dentro dos vinhos que não é tão doce. Vou passar para vocês as minhas anotações:

1) Cremont Brut - Este é um espumante local. Ele passa por dois processos de fermentação. O que tomamos tem uvas pinot blanc, pinot noir e chardonnay. A recomendação é tomar como aperitivo ou harmonizar com chocolate ou alguns pratos de peixe.

2) Muscat - As uvas para fazer esse vinho são as mais delicadas de todas as uvas. Normalmente eles têm umas versões que são mais doces e é melhor só para aperitivo, mas também há versões mais secas, que podem ser harmonizadas com comida. A boa pedida aqui é harmonizar com os aspargos brancos, que são comuns na região.

3) Riesling (comum) - Esse não costum ser tão doce e é mais fácil de harmonizar com a comida. Recomendações: chucrute, queijo de cabra, peixes e queijos secos.

4) Riesling (gran cru) - Os vinhos gran cru são especiais, pois vêm de parreiras mais antigas que, por terem raízes mais profundas, absorvem melhor os nutrientes do solo do que as mais novas. Além disso, normalmente as parreiras ficam em terrenos inclinados face sul. Este é o mais indicado para as comidas de alta gastronomia.

5) Pinot Gris - vide observações do item 6 abaixo.

6) Pinot Gris (gran cru) - Esse é o vinho com o maior percentual de alcool (14,5%). Ele vai bem tanto como aperitivo ou com carne de porco, foie gras ou como vinho de sobremesa.

7) Gewurztramine - Esse vinho vai bem comidas mais aromáticas, como tailandesa ou indiana, foie gras, queijo roquefort. A versão gran cru deles é mais recomendada como vinho de sobremesa.

Espero que isso tenha ajudado os nossos leitores a entenderem um pouquinho mais sobre os vinhos da Alsácia. O meu preferido foi o riesling gran cru. 
Site da companhia que fez o passeio:
www.regioscope.com

Site da vinícola:
http://www.gustavelorentz.fr/
Flá

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Colocando um vinho chileno na nossa adega

Viagem para o Chile sem passar por uma vinícola sequer é quase como ir à Roma e não ver o vaticano. Desta vez, a viagem foi pelo Vale Maipo, em uma visita que fizemos à Concha y Toro, pertinho de Santiago. O passeio é feito num dia e tem fácil acesso por metrô e ônibus de Santiago. A escolha da vinícola foi feita em virtude da facilidade de chegar lá e por cohecermos os vinhos do Concha y Toro.

Parreiras na vinícola Concha y Toro

O vinho é uma tradição que se iniciou no século XVI com a colonização espanhola e hoje representa uma importante parte da economia chilena. Afinal, o Chile é o quinto maior exportador de vinhos do mundo.
Fizemos a cotação do passeio pelo telefone indicado no site. Chegamos a perguntar no hotel pelo mesmo passeio e ficamos chocados quando eles falaram o preço se fechássemos pelo hotel: ficaria de duas a três vezes mais caro. Use o seu Portunhol e reserve direto com a vinícola. No fim, acabamos comprando os ingressos na hora, uma comodidade para o turista que nem sempre tem tudo planejado (o meu caso e da minha família).


tonéis

Havia três opções de visita: uma mais em conta (tradicional), que dava direito a conhecer as vinícolas, o processo de elaboração do vinho e degustar uma taça do vinho Casilero del Diablo, uma outra um pouco mais carinha, que incluia além disso uma degustação de vários vinhos e harmonização com queijos (Marques de Casa Concha), que foi a que escolhemos e uma terceira, que envolve uma degustação mais refinada (Don Melchor Experience). Achei que valeu fazer o upgrade para a segunda. A degustação foi bem mais abrangente e elucidativa.

Olha o diabo lá no fundo
Vale a visita. O lugar é bem bonito, o passeio bem organizado e degustar um vinho não é nada mal para um programa turístico no Chile.  Começamos com a visita pela vinícola, vendo a mostra das uvas nas parreiras. Depois, vimos um pouco o processo de fabricação, os tóneis e o celeiro do Casilero del Diablo (antigamente, eles diziam que o diabo habitava no celeiro para evitar que fossem roubados, daí porque o nome). Depois, fomos para a degustação e harmonização, a melhor parte!! Não sobrou nenhum queijinho na minha tábua! Tim tim!


Site:

Flá

terça-feira, 15 de novembro de 2011

As duas aquisições do feriado

Muito bom este feriado prolongado em São Paulo. Aproveitei para descansar e fazer coisas que esqueço ou não tenho tempo durante a semana.

Gostaria de dividir minhas duas novas aquisições destes dias.

A primeira aquisição: Assinatura de vinhos no Wine.com.br

Soube deste site através de um amigo e me encantei pelo esquema. O  www.wine.com.br é um site de vendas de vinhos e espumantes pela internet. Além de bebidas, que é o carro chefe deles, oferecem também produtinhos gastronômicos, acessórios e presentes relacionados a este universo. Dentro do site você consegue se cadastrar no Clube W, que é o maior clube de vinhos do Brasil. Eles oferecem pacotes de 2,4 ou 6 garrafas de vinhos selecionadas por especialistas do site. Mensalmente você recebe os vinhos em suas casa! As mensalidades variam de R$80,00 a R$300,00, dependendo do número de garrafas que vocês escolhe. O frete é gratuito. Eu escolhi receber 2 garrafas por mês e achei tudo isso muito cômodo. Primeiro porque não entendo muito de vinho e a equipe do site acaba selecionando rótulos muito bons para você com 40% de desconto em relação ao preço de mercado. Segundo porque é sempre bom ter uma reservinha de vinhos para você tomar durante um jantar ou não ter que sair correndo para o supermercado quando tiver que ir a um jantar. Terceiro porque existe o efeito surpresa! Você fica na expectativa do que (rótulos) e quando vai receber o vinho em casa!! Vamos ver. Já escutei algumas pessoas falarem muito bem do site. Quando a primeira caixa chegar, aviso vocês.




Segunda aquisição: O livro "10 anos de La Pasta Gialla"

Fazia tempo que eu queria comprar este livro!!! Procurei na internet para vender e não achei em nenhuma livraria. Então, ontem a noite fui Jantar no La Pasta Gialla e comprei rapidinho o meu porque ele era o último que tinha sobrado! Feliz!!! O livro reúne as receitas mais famosas do Sergio Arno produzidas nestes últimos dez anos. Para quem gosta de livro de culinária com fotos como eu, vai amar. O livro é bem dividido com seções de entradas, massas, carnes e peixes e sobremesa. Para toda receita tem uma dica/curiosidade e uma sugestão de vinho. Achei as receitas bem práticas e fáceis! A sessão de brusquetas é maravilhosa! Já estou até pensando em fazer uma rodada delas aqui em casa para alguns amigos. Uma mais gostosa que a outra. Para quem curte, vale muito a pena!!!



Espero que aproveitem!!



quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Pregação dos Bebedores

"Bacco" de Caravaggio (Galleria degli Uffizi)


Estava em uma feirinha de antiguidades quando vi esta plaquinha, e morri de rir. Trata-se de uma oração dos bebedores. Vou fazer uma tradução tosca para ninguém perder a piada:

"Bacco nosso que está na adega
seja recordado o seu nome
venha o seu vinho, sempre que genuino
seja Merlot ou Gringnolino
seja feita a sua vontade
em estabelecer a qualidade
Dá-nos hoje a nossa esbornia cotidiana
Encha os nossos copos
como nos re-enchemos os dos nossos bebedores e
não nos levam trabalhar
mas livranos da água e...
assim seja!"


Dedicado à Tio Cid, bom bebedor e fiel ao deus Bacco!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Anísio Santiago: A água que todo passarinho gostaria de beber

Todos que me conhecem, sabem que o meu forte não é a bebida. Aí surgiu a idéia de pedir uma indicação de cachaça para um amigo que é especialista no assunto. Trata-se do jornalista e crítico gastronômico Pablo Schettini, famoso na região do Vale Paraíba. No caso, a apreciação da cachaça é coisa hereditária na família do Pablo, que conta com uma impressionante coleção da paixão nacional. Na adega existe algumas raridades históricas da produção nacional, como é o caso da Anísio Santiago:


Anísio Santiago se consagrou como um dos principais produtores de caçhaça de qualidade. Iniciou sua produção na década de 1940, nesta época toda sua produção era vendida a varejo na região de salinas. A cachaça, de altíssima qualidade, caiu no gosto dos consumidores e na década de 1950 inicio-se o engarrafamento.
O curioso na história de Anísio Santiago é que ele não vendia sua cachaça aos distribuidores. Sua produção era utilizada para pagar as contas do supermercado, açougue, funcionários, etc., que revendiam as garrafas, o que dificultava e muito a aquisição de uma destas.
Considerado um mito entre os produtores de cachaça, Anísio incorporou suas próprias técnicas à produção de cachaça de qualidade. Em sua produção, limitada a 10 mil litros anuais, apenas as partes mais maduras da cana são utilizadas e a cachaça descansa em tonéis de bálsamo por seis anos.
A cachaça batizada de “Havana” - mesmo nome da fazenda onde é produzida – passou a conquistar fama entre apreciadores em outros Estados e o nome, logo foi reivindicado como exclusividade por um fabricante de rum. A cachaça Havana passou então ao nome de seu criador “Anísio Santiago”.
Se uma garrafa de “Havana” já era cara e difícil de se encontrar devido à sua pequena produção, após a troca do nome, esta passou a raridade. Na época uma “Havana” chegava a ser negociada a R$ 800,00 entre colecionadores.
Em 1992 Anísio Santiago faleceu e seus filhos assumiram a produção da cachaça que é considerada a melhor e mais cara do mundo, mas que ainda fica longe do preço de um bom uísque. Uma garrafa da “Anísio Santiago” custa cerca de R$ 160,00 e na região de Salinas-MG segue sendo utilizada como moeda de troca pelos funcionários da fazenda Havana.

Pablo Schettini




sexta-feira, 11 de março de 2011

Turismo Enogastronômico na Toscana

Quando era criança, todo ano esperava pelas infalíveis férias da família. O roteiro variava de acordo com as condições financeiras dos meus pais, mas, para falar a verdade, o destino pouco importava. O gostoso mesmo era viajar, sair da rotina e conhecer coisas novas na companhia da minha irmã e dos meus pais. No entanto, com o tempo, fomos abandonando aos poucos essa tradição, até porque era difícil conciliar o período de férias de todos nós.

Com minha mudança para a Itália e o casamento do meu primo na Toscana, a idéia de uma viagem em família aos poucos se concretizou. Meu tio Cid, que entende tudo sobre turismo enogastronômico, assim que informado sobre o projeto, logo lançou algumas dicas que ele colheu na viagem que tinha feito há algum tempo com a minha tia pela região. Sem dúvida, a melhor delas foi a recomendação de que contratássemos o guia e consultor de viagens Lorenzo Tesi. Logo compramos as passagens, escrevemos um email para o Lorenzo e contratamos o serviço de organizador e guia para a nossa viagem.

A sugestão do meu tio não poderia ter sido mais acertada. O Lorenzo montou um roteiro personalizado para satisfazer as expectativas de cada um na nossa família. Como todo mundo sabe, é difícil agradar a gregos e troianos... e não é que ele conseguiu? Visitamos lindíssimas cidades do interior da Toscana, diversas vinícolas da região de Chianti e Montalcino e deliciosos restaurantes. O serviço dele é tão personalizado que, ao saber que eu sou uma fanática por Bocaccio, incluiu no roteiro a cidade de Certaldo (onde vistamos a casa onde cresceu o escritor de Decameron) e algumas lojinhas para a minha irmã shopaholic.



A viagem foi simplesmente perfeita porque, de fato, não tínhamos que nos preocupar com nada, era só aproveitar. Entrávamos no carro de manhã, passeávamos pelos lugares com várias explicações históricas de um guia que conhece cada lugar como a palma da mão e nos fartávamos de comer e beber sem ter que pensar nas responsabilidades. Para esse post não ficar muito longo, vou citar aqui dois topus gastronômicos do roteiro, que amei conhecer.

O primeiro foi a vinícola de Siro Pacenti, que fica situada no cartão postal da Toscana. Brincadeira à parte, é essa a sensação que se tem do alto da casa principal da propriedade que fica entre colinas, montanhas tomadas por vinhedos e alguns solitários pinheiros. Lá é fabricado um dos melhores vinhos que tive a sorte de poder provar na vida: O Brunello de Montalcino.



Longe de ser uma especialista, não conseguiria jamais explicar o gosto dessa maravilha. Pudemos acompanhar passo a passo a produção do vinho e entender porque é tão excepcional.



A vinícola não apenas está situada em uma região abençoada pelo deus Bacco, onde a melhor qualidade de uva Sangiovese é produzida, como pode ser considerada o "coração" do Brunello. Ficamos bastante impressionados ao andar pela propriedade e ver grande parte da safra no chão. Ao questionar o Giancarlo Pacenti, que hoje conduz o negozio da familia, sobre esse desperdício de uvas, ele nos contou que para garantir uma excepcional qualidade do vinho é necessário jogar fora grande parte da produção de uvas. Em outras palavras, eles só fazem o vinho com o que há de melhor. A vinícola produz dois tipos de vinho: o Brunello e o Rosso di Montalcino. Também nos garantiram que se a safra de um determinado ano não for boa suficiente para a produção do Brunello, eles preferem não produzí-lo. Sendo assim, o cliente que compra uma garrafa de Brunello sabe que está levando para casa um vinho de excelente qualidade.











Uma curiosidade que ficamos sabendo é que para essa seleção das uvas eles contrataram apenas mulheres. Isto porque perceberam que as mulheres eram mais perfeccionistas para fazer a escolha das uvas. Todo o processo de fermentação da uva acontece em salas que possuem máquinas de última tecnologia, evitando aquelas terríveis histórias de morte de funcionários em barris por falta de oxigênio. Ficamos extremamente impressionados com a propriedade, com a forma de produção e com a simplicidade da família Pacenti, que nos recebeu de braços abertos e permitiu que comprássemos algumas caixas de vinho deles.

Saímos de lá e fomos para um restaurante Boccon di Vino. O lugar é espetacular. Fica no topo de uma colina com vista para um mar de vinhedos e girassóis. Provavelmente nunca iríamos lá sem a indicação do Lorenzo porque foge completamente do roteiro turistico tradicional. Pedi uma bruschetta de entrada, spaghetti al caprino fresco con pomodorini e olio al basilico e para beber (é claro!) Brunello di Montalcino di Siro Pacenti. Vamos concordar que não dava para ficar melhor.











Agora eu passo essa dica para frente.


Lorenzo e Cassia Tesi
e-mail: lorenzotesi@me.com