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terça-feira, 17 de julho de 2012

Jamie Oliver aprontando aqui em Londres

Uma das coisas de que mais gosto de morar aqui em Londres é que sempre tem uma novidade acontecendo por aqui. O chef Jamie Oliver está abrindo uma unidade do "Recipease" em Notting Hill.
O conceito parece ser interessante: uma loja, um café, uma delhi e uma escola de gastronomia em um mesmo ambiente.
Estava dando uma olhada nas aulas e pareceu bem interessante e organizado - e o melhor, para qualquer mortal: tem aulas de sushi, massa, comidas para festas, habilidades com a faca, comida vietnamita, etc.
A loja só abre em agosto, mas dá para entrar em contato com eles desde já! Ai, pena que eu não estarei mais aqui para conferir a novidade...



Aproveitem por mim!

Site:
http://www.jamieoliver.com/recipease/
Flá

sábado, 26 de novembro de 2011

Aula de Apfelstrudel na Áustria


Em um dos passeios que fizemos na Áustria, fomos no palácio Schönbrunn, pertinho de Viena. O passeio em sí já é um passeio turísico importante para se conhecer melhor o que foi o Império Austro-Húngaro. Existem várias opções de tickets que se pode escolher para visitar o palácio. Nós escolhemos um que dava direito a uma aula de apfelstrudel. Imaginamos que ia ser uma coisa para turista ver e que talvez não valesse a pena. Devo admitir que é um pouco turístico sim, mas valeu para experimentar um pedacinho do apfelstrudel, ver como ele é feito e sentir aquele cheiro maravilhoso do forno assando a iguaria. De quebra, eu ainda virei "ajudante da cozinheira" graças a um pitaco que eu dei de como colocar o apfelstrudel ainda não cozido na assadeira. Eu parecia uma criança ajudando a tia na escola: toda feliz em fazer "arte". 
Para os queridos leitores do UG (Utopias Gastronômicas), aqui vai a receita diretamente da Áustria:

Ingredientes:
Strudel
250 gramas de farinha de trigo tipo 700
2 g de sal
1 ovo
100 g de água morna
20 g de óleo


Recheio
100 g de farinha de rosca
50 g de manteiga
140 g de açúcar
10 g de canela
170 g de uvas passas
10 g de suco de limão
1 kg de maçã verde descascadas e fatiadas
uma dose de rum






Preparo - StrudelMisture todos os ingredientes até virarem uma massa macia e amasse até que a massa descole da mesa e das suas mãos.Faça uma bola com a massa e mergulhe-a no óleo por 30 minutos. Coloque a massa em um pano de prato coberto de farinha e passe o rolo nela até ficar em um formato retangular. Estenda a massa com a parte de trás das mãos até ficar be fina (olhe a foto abaixo).



Começando a abrir a massa

A massa tem que ficar tão fina a ponto de ser transparente
Recheio:
Aqueça a manteiga em uma panela, adicione a farinha de rosca até dourar. Misture o açúcar com a canela. Misture todos os demais ingredientes com a mistura da manteiga com a farinha de rosca, o açúcar e a canela. Monte em cima da massa como na figura abaixo. Corte o excesso de massa dos lados e enrole o strudel com um pano de prato. Coloque o strudel em uma assadeira untada com manteiga e cozinhe no forno a 190 graus até dourar. Coloque um pouco de manteiga assim que o strudel sair do forno. Eles não dizem na receita, mas pincelar o strudel com ovo para dourar a massa antes de ir ao forno é uma boa ideia...

Montando o recheio antes de fechar a massa

Enrolando o strudel com cuidado, com o auxílio do pano

Transportando o strudel com cuidado para a assadeira

Pincelando a massa

Pronto para levar ao forno
Flá

sexta-feira, 17 de junho de 2011

London Taste Festival 2011

Preparem seus garfos: mais uma aventura gastronômica à vista! Finalmente o tão esperado London Taste Festival (falamos já duas vezes sobre o evento: 1 e 2)!


Eu queria ter três bocas, cinco estômagos e uma via alternativa, para que as calorias ingeridas fossem para outro lugar que não os meus quadris. Eu poderia cobrir todos os dias do evento ao invés de um só, mas aí no final do verão europeu, eu viraria morena jumbo ao invés de morena jambo...
O evento começou ontem (16 de junho) e irá até o dia 19 de junho. Adorei a experiência. Além dos stands de vários restaurantes, havia stands de produtores de alimentos, aulas de gastronomia, entrevistas com chefs, degustações, etc. Vou tentar passar para vocês os pontos principais da minha visita, com a ressalva de que, para poder dar uma análise profunda, seria necessário ir aos quatro dias de evento e me fartar de comer. Tendo em vista que isso é inviável, pois eu não tenho patrocínio nem vias alternativas para desviar as calorias, vou passar tudo o que eu vi ontem e deixá-los com água na boca...

Demonstrações de chefs

Chef Vivek Singh, The Cinnamon Club



Assisti três apresentações de chefs: Jocelyn Herland, do The Dorchester - Alain Ducasse, Vivek Singh, do The Cinnamon Club e Matt Bishop e Simon Gregory, do Maze. Para todos eles, foi perguntado o que eles achavam dos blogueiros. O feedback em geral foi positivo (a chance deles falarem de nós ao invés de nós falarmos deles), com exceção de um ou outro (não convém aqui entrar no detalhe). Em nossa defesa (do Utopias Gastronômicas), devo dizer que aqui a nossa ideia não é dar opiniões técnicas, mas apenas descrever o que nós vimos por aí e gostamos. Como não temos um compromisso oficial de escrever sempre, tampouco de falar sobre determinados lugares, o que a gente colcoa aqui é o que achamos bom e ponto final. Do que não gostamos, nós simplesmente não perdemos tempo escrevendo. Então, viva à opinião não técnica, que é muito mais isenta do que a de muitos críticos que andam por aí... Só vamos a lugares onde achamos que pode ser uma boa ideia e não onde somos obrigadas a ir. Gostei muito da apresentação do chef Vivek Gregory, que fez um peixe com quinoa que dava para sentir o aroma de longe. Isso sem falar na simpatia e bom humor. O Cinnamon Club foi para a minha bucket list daqui de Londres.
O chef René Redzepi, do Noma (Dinamarca), também estava por lá e deu uma entrevista rápida. Foi bem interessante, pois ele falou não apenas da questão do sucesso do restaurante (que chegou, na semana passada, a ter uma fila de espera de mais de mil pessoas na sexta-feira), mas também da importância dos ingredientes regionais e de se aproveitar isso para a gastronomia local (fiquei morrendo de curiosidade de comprar o livro, apesar de desconfiar um pouco que os ingredientes na Dinamarca sejam um tanto diferentes dos encontrados no Brasil ou mesmo em Londres).

Aulas de Gastronomia

Apesar de ter sido um pouco difícil de marcar as aulas (tem que chegar e correr para marcar, pois as vagas esgotam rapidamente), gostei muito da experiência. Há varios stands com aulas, mas eu fiz a do Waitrose Cookery School e AEG's Perfekt Cooking Classes.

No curso da Waitrose Cookery School, fiz um canapé de salmão defumado com aspargos e caipirinha de morango com pimenta. Antes que vocês pensem o que uma brasileira faz em Londres aprendendo a fazer caipirinha, devo dizer que escolhi este curso, pois já tinha marcado duas aulas no curso da AEG. Mesmo já sabendo fazer caipirinha (qualquer brasileiro mediano sabe), gostei muito da receita. A pimentinha deu um toque excelente na caipirinha de morango, além do limão (só um pouquinho). Isso sem falar que o chef foi uma simpatia: ele me disse que depois que soube que eu era brasileira, ficou preocupado (como se eu, pelo só fato de ser brasileira, pudesse saber mais que um chef), mas a caipirinha estava boa para brasuca nenhum botar defeito.

Canapés de salmão defumado com aspargos

Caipirinha de morango com pimenta

Eu ia fazer dois cursos da AEG, mas, por algum motivo, eles perderam o papel em que tinham anotado o meu nome e eu deixei de participar de uma receita de pato, para o meu desconsolo. Consegui me inscrever de novo no curso de sobremesa: tiramisù de verão, com frutas e pistache. O meu ficou meio desmantelado, mas me diverti muito na aula e o doce ficou bom.

Tiramisù de Verão

Agora a melhor parte: o que eu provei por aí

Tentei ao máximo comer um pouquinho de cada coisa, mas são tantos restaurantes que ficou difícil para um estômago só digerir tudo aquilo. O premiado do dia foi o hambúrguer de foie gras com trufa do Club Gascon (para quem não lembra, já estivemos lá antes). Eu provei um e, realmente, foi a comida que eu mais gostei, seguido do carre de cordeiro do Tamarind. De sobremesa, a torta de limão com morangos do Rhodes Twenty Four. Vou deixar as fotos falarem por sí.

Hambúrger de foie gras com trufa: Club Gascon

Camarões com frutas tropicais e chips de raiz de lótus: Asia de Cuba
Atum com purê de batatas com wasabi: Asia de Cuba

Carre de cordeiro com batatas e especiarias: Tamarind

Bochecha de porco com batatas e sálvia: Petrus
Compota de cherry com mascarpone de limão: York and Albany

Sachertorte (bolo de chocolate com cobertura de chocolate e damasco): Demel (Viena)
Torta de limão com morangos: Rhodes Twenty Four
Summer pudding: chocolate branco, compota de frutas vermelhas, manjericão, licor de framboesa e avelãs caramelizadas: Paul.A.Young Fine Chocolates
Hambúrguer com presunto ibérico, foie gras e pimenta: Opera Tavern
Ostras frescas: Chapel Down
Agora eu preciso de um guindaste para me carregar até a minha casa! Daqui a uma semana, quando eu digerir tudo, volto a escrever...
Flá

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Escola de culinária - La Pentola delle Maraviglie

Hoje será a minha estréia na coluna Peripércias na Cozinha, do blog. Antes de mais nada, confesso que sou bem menos gifted na cozinha que minhas amigas, até porque é difícil competir com elas. A Dona Fernanda faz um gazpacho dos deuses (entre outras coisas) e quem já experimentou alguma das sobremesas da Flávia sabe que, além de parecerem obras de arte, são uma perdição. No entanto, sou um bom garfo, esforçada e um dia chego a chef!

Como um incentivo ao meu aprimoramento na cozinha, ganhei um presente incrível de Natal, do meu tio Michael: um curso culinária regional na escola La Pentola delle Maraviglie, de Barbara Desderi. Não é demais?


A escola propõe diversos tipos de cursos e para todos os níveis (do iniciante ao avançado), nos quais o aluno sob orientação da chef, preparam os pratos e depois fazem a degustação. Os cursos são divididos em módulos, sendo que alguns deles são: cozinha regional, pão e focaccia, peixes, doces, crepes, sorvetes, alta cozinha, dentre outros. A aula dura mais ou menos 3 horas e o clima é bastante descontraido. É uma idéia bacana, não só para quem mora na Itália, mas também para turistas que querem conhecer com mais profundidade a cultura gastronômica do país. Para quem viaja sozinho e não tem coragem de ir em bons restaurantes by yourself, é uma oportunidade de conhecer pessoas novas e de comer bem.

A minha primeira aula foi na semana passada e o tema era Cucina Piemontese. Para quem não sabe, o Piemonte fica no extremo norte da Itália. A região é um importante pólo industrial do país e, até por isso, bastante desenvolvida. Todavia, o Piemonte não é só conhecido por suas fábricas, mas também pela tradição gastronômica. Terra do vinho Barolo, do tartufo, da carne de alta qualidade e dos queijos. Pode-se dizer que pela localização geográfica, a culinária piemontesa é bastante influenciada pela francesa, mas também, por uma questão histórica, pela culinária da Sardenha.



A idéia do curso de culinária regional é bastante interessante: aprende-se a fazer um refeição completa com pratos tradicionais da região escolhida.

Sendo assim, preparamos como primo piatto, um delicioso Gnocchi al Castelmagno. Para o secondo piatto, fizemos Faraona Ripiena al Barolo, isto é, galinha de angola recheada de carne de porco, pancetta, arroz, ovos, cebola, alecrim no vinho Barolo.















Como acompanhamento para o frango, Cipolle al Forno con Bagna Caoda.



Para sobremesa torta di nocciole, ou seja, bolo de castanha com creme.


Dos pratos, o meu favorito foi o gnocchi. A Barbara Desderi me alertou para o fato de que é um prato tradicionalmente doméstico. A família italiana se reúne na cozinha antes do almoço de domingo para preparar o gnocchi. Trata-se de um prato que deve ser feito na hora e a rotina intensa dos restaurantes dificulta a realização deste processo. Por esse motivo, poucos bons restaurantes o servem gnocchi, ao passo que em outros utilizam o produto congelado. Isso explica o fato que nunca encontro gnocchi tão bom quanto o da minha nonna!

Então, por isso, resolvi traduzir a receita e passar para vocês. Como alguns dos ingredientes não são faceis de se encontrar alhures, também vou passar algumas dicas para "adaptação" da receita.

Gnocchi al Castelmagno

GNOCCHI AL CASTELMAGNO

1 Kg de batatas "a pasta bianca"
300 gramas de farinha
1 copo de vinho branco seco
150 gramas de queijo castelmagno
25 gramas de mantega
sal
pimenta do reino

Modo de preparo:

Ferva as batatas com a pele em água fria. Depois de fervida a batata, descasque a pele e amasse a batata. Misture a farinha, o sal e a pimenta. Enrole a massa em "tubos" compridos. Com uma faca, corte o gnocchi.




Para o molho, derreta a manteiga em uma panela, adicione o queijo castelmagno ralado e o vinho branco. Deixe cozinhar em fogo baixo por 5 minutos, mexendo bastante com a colher (é importante não deixar o molho parado na panela).

Tempere com o sal e a pimenta do reino.


Cozinhe o gnocchi em água fervente com sal e sirva com o molho de Castelmagno.

Dicas:
Quem já esteve em um food market, na França, Suiça, Alemanha percebeu a divesidade de tipos de batatas expostas. Parece uma coisa de outro mundo, tem batata especial para gnocchi, purê, rosti, entre outros pratos. Um paraíso! Infelizmente, essa não é a realidade mundial. No Brasil, assim como em outros países, não se encontra a batata "a pasta bianca", que é perfeita para o preparo do gnocchi. Então, sofremos para encontrar batatas que não sejam aguadas e que não precisem de muita farinha para ganhar consistência, o que tira o gosto de batata. Minha avó que é especialista em gnocchi (faz o melhor do mundo!), conhece muito bem a dificuldade para a realização do prato no Brasil. Por isso, recomenda sempre escolher sempre batatas de tamanho médio e até misturar variedades. Meio quilo de batata "para nhoque" e meio quilo de batata rosa por exemplo. Como nada é garantido, é preciso ter atenção na consistência da massa e fazer o teste na panela (isto é, coloque alguns gnocchi na panela com água fervendo e veja se sobe). Outro segredo de avó é um pouco de noz-moscada ralada na massa. O ingrediente não consta na receita da Bárbara Desderi, mas fica uma delícia.

O maior problema é o queijo. O castelmagno é considerado o rei dos queijos do Piemonte. O sabor é encorpado, bastante granulado e macio. Mas onde é possível encontrar o queijo Castelmagno fora da Itália se nem fora de Piemonte é fácil encontrar esse queijo? Pois é, na Itália, eles acabam abastecendo apenas uma pequena região de um determinado produto, o que faz com que seja necessário adaptar a receita. Uma boa alternativa é substituir pelo gorgonzola (novo). O castelmagno é na verdade mais macio que o gorgonzola, então talvez isso altere o tempo do molho do fogão.

Buon Appetito!


Site da escola de cucina La Pentola delle Maraviglie: http://www.lapentoladellemeraviglie.it/


Agradeço ao meu tio Michael, por sempre acreditar e incentivar o aperfeiçoamento dos meus dotes culinários. Quem sabe um dia serei tão boa pilota de fogão como ele!