sexta-feira, 8 de abril de 2011

Buca Mario

Desde que cheguei na cidade, o ristorante Buca Mario me chamou a atenção. Trata-se de um dos restaurantes mais antigos de Florença, aberto em 1886. O restaurante foi idealizado por Mario Corsini, com a proposta de apenas servir pappa al pomodoro e ribollita na cantina do palazzo Niccolini.
No Brasil, estamos acostumados com a idéia de comer em "cantinas italianas", só que na Itália essa idéia não tem nada de comum. O termo "cantina", na Itália, é usado para nomear o lugar onde se guarda vinhos, isto é, uma adega. Como os vinhos devem ficar protegidos do calor e a invenção da adega climatizada é coisa recente, geralmente se escolhia o porão para o estoque de vinhos, salames, entre outros condimentos.
Os imigrantes italianos no Brasil muitas vezes aproveitavam-se da cantina para servir pratos típicos da culinária do seu país e com isso encrementar o orçamento. A idéia deu tão certo que hoje o termo "cantina" para os brasileiros é sinônimo de restaurante. Todavia, aqui o termo não tem o mesmo significado. Sendo assim, se pedir a indicação de uma "cantina" para um italiano, provavelmente ele não vai entender a pergunta.
Isso não quer dizer que na Itália não existam restaurantes na cantina, mas só não é um fenômeno comum, mesmo porque a cantina não é um lugar considerado sofisticado.
Talvez aí o sucesso do Buca (buraco) do Mario, que servia tradicionais pratos da cucina povera toscana, no coração de Florença. O lugar ficou famoso e ganhou respeito dos maiores experts do assunto. Hoje o espaço permanece quase inalterado e consagrado como um dos mais antigos e tradicionais restaurantes da vera cucina toscana. Tão bom que já é um clássico na vida dos fiorentinos e como indicado do guia Michelin.

Uma das salas do restaurante Buca Mario
A primeira vez que fui lá foi com a Flávia. Eu pedi o risotto ai funghi porcini e a Flá optou pelo bocconcini di vitella al vino bianco con puré. Definitivamente este foi o melhor risotto ai funghi porcini que já comi na Toscana, ou melhor na vida! Cremoso, mas com estrutura e sem miséria no funghi. Óbvio que não pude deixar de provar a vitella da Flá, que estava se desfazendo na boca.

Risotto ai funghi porcini

Bocconcini di vitella al vino bianco con puré

A adega do restaurante Buca Mario, conta com uma excelente seleção de vinhos. Nós optamos por um vinho tinto Morellino di Scansano (2009), produzido com uvas sangiovese. O atendimento foi impecável. Quando mencionamos que não sabíamos se queríamos pedir tiramisù ou a torta de frutas vermelhas, o garçom resolveu o problema trazendo uma meia porção de cada tipo para nós.


Só que as porções ainda assim eram grandes, só não vou dizer satisfatórias porque poderia comer travessas inteiras dos doces.

Meu sonho de consumo!

Tudo estava maravilhoso!
O único problema da noite foi um outro garçom, que não estava nos servindo, paquerou a Flávia descaradamente a noite inteira. A situação chegou em tal condição que a gerente do restaurante nos presenteou com dois aventais da casa. Hahaha! Preciso levar a Flávia em mais restaurantes...

Imperdível!


Dani

Piazza Ottaviani, 16 r
Tel: 055214179
Aberto todas as noites, no sábado e domingo tambem no almoço

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A volta ao mundo em 319 páginas



Preparem seus corações e as suas malas! Pé na tábua e garfo na mão!!
Ainda estava no Brasil quando eu comprei o livro "Viagens Gastronômicas - 500 lugares extraordinários para comer no mundo todo" lançado pela National Geographic (o título em inglês éFood Journeys of a Lifetime - 500 Extraordinary Places to Eat Around the Globe). 

Não podia ter livro melhor para eu comprar, pois era a combinação perfeita do que eu mais gosto de fazer na vida: comer e viajar. Fiz questão de trazer aqui para a Europa para ver se eu incluo alguns desses lugares na minha "to do list" daqui. O livro em sí é lindo, tem fotos maravilhosas e dicas incríveis de lugares no mundo todo que são imprescindíveis para quem gosta de comer: ingredientes e especialidades, mercados ilustres, delícias sazonais, aulas de gastronomia típica, comidas de rua, referências gastronômicas, lugares imperdíveis, bebidas, doces, etc. 

Se você ainda não tem uma viagem programada, não tem problema: o livro é gostoso de ler mesmo assim e ele pode servir de inspiração no futuro. Só não recomendo ler de barriga vazia, pois vai abrir o seu apetite!!

Flá

quarta-feira, 6 de abril de 2011

As boiadas em Londres



Eu pensei que os americanos eram os campeães em cupons de desconto, mas vi que os ingleses não estão nada atrás!! No Brasil, a gente se melindra muito com essa história de cupom de desconto. Não sei, talvez a gente tenha mania de grandeza e goste de jogar dinheiro pela janela... Depois ninguém sabe o motivo pelo qual os restaurantes em São Paulo andam tão caros. Enfim, o post de hoje não é para filosofar sobre costumes e sim para compartilhar com vocês as boiadas que encontro por esses lados do Atlântico!

Aqui há milhares de sites de desconto e eu, como sou estudante com budget contado (e ainda que não fosse, adoro uma boa promoção), descobri alguns sites que oferecem boas oportunidades de desconto aqui em Londres. Anote na agenda (ou lembre-se que tem esse post aqui antes de sair para jantar):

Last Minute
Esse foi o site que organizou o London Restaurant Week. Nele, marquei a ida a três restaurantes, sendo dois com uma estrela Michelin (Club Gascon e L'Autre Pied) e um dos restaurantes do famoso chef Gordon Ramsay (The Narrow). Para quem perdeu o London Restaurant Week, ou para quem não perdeu, mas ficou com gostinho de "quero mais", eu sugiro entrar no site: há ótimos descontos em vários restaurantes, incluindo alguns com estrela Michelin.
Por exemplo, o restaurante do Alain Ducasse premiado por três estrelas Michelin (The Dorchester) está agora numa promoção de 50 libras para um almoço que inclui vinho. Não estou dizendo que é barato, mas se você comparar com o melhor restaurante de São Paulo, dificilmente vai pagar esse preço... Outros restaurantes também estrelados saem por menos ainda, como é o caso do Club Gascon, cujo menu de almoço pode sair por 12,50 libras. Pesquise, use e abuse!!! O sistema do site é bem prático: você faz a reserva online e eles te ligam um pouco antes do dia marcado para confirmar. Não tive nenhum problema quando fiz as reservas do Restaurant Week (só de achar datas disponíveis, mas depois que achei, foi tranquilo).

Vouchercloud
Esse daqui foi a indicação de uma amiga. Você faz o download do aplicativo no seu celular e ganha desconto em vários restaurantes. Há diversas promoções disponíveis. Normalmente, as ofertas são dos restaurantes de rede, mas vale dar uma olhada. A grande vantagem desse é que você pode pegar um voucher minutos antes de entrar no restaurante: eles te dão um código que você indica na hora de pagar a conta. Bom, né?


Discount Vouchers
Ainda não usei este site, mas há várias oportunidades boas para restaurantes de rede como: Pizza Express, The Slug and Lettuce, Gourmet Burger Kitchen, Cafè Rouge, Pizza Hut, Bella Italia, etc.

Groupon
Neste site, você se inscreve e recebe as promoções do dia. A maioria das ofertas deles não está ligada a comida, mas de vez em quando aparecem alguns deals de restaurantes que podem ser interessantes. Eu ainda não comprei nenhuma das promoções dos restaurantes, nem sei se valem a pena, mas fica a indicação.

Acho que já dá para ter uma ideia... Sendo relativamente organizado, você consegue comer bem em Londres gastando muito menos. Enjoy!!

Aqui vai um agradecimento à Pri por me indicar o Vouchercloud.


Flá

terça-feira, 5 de abril de 2011

Restaurant Week Itália

Começou ontem, dia 04 de abril, o evento Restaurant Week Itália. A edição italiana do evento, já conhecido no Brasil e em Londres, oferece diversas opções bacanas de restaurantes. Como se sabe, é uma boa oportunidade para comer em restaurantes estrelados pela bíblia da gastrônomia, o Guia Michelin, por preços mais acessíveis. No entanto, atenção: a cada estrela Michelin, mais 10 euros são adicionados no preço do menu completo, que custa 25 euros. A reserva deve ser feita pelo site do Dining City, organizador da Restaurant Week Itália. Infelizmente, o evento só acontece em Milão e Roma.




segunda-feira, 4 de abril de 2011

Anísio Santiago: A água que todo passarinho gostaria de beber

Todos que me conhecem, sabem que o meu forte não é a bebida. Aí surgiu a idéia de pedir uma indicação de cachaça para um amigo que é especialista no assunto. Trata-se do jornalista e crítico gastronômico Pablo Schettini, famoso na região do Vale Paraíba. No caso, a apreciação da cachaça é coisa hereditária na família do Pablo, que conta com uma impressionante coleção da paixão nacional. Na adega existe algumas raridades históricas da produção nacional, como é o caso da Anísio Santiago:


Anísio Santiago se consagrou como um dos principais produtores de caçhaça de qualidade. Iniciou sua produção na década de 1940, nesta época toda sua produção era vendida a varejo na região de salinas. A cachaça, de altíssima qualidade, caiu no gosto dos consumidores e na década de 1950 inicio-se o engarrafamento.
O curioso na história de Anísio Santiago é que ele não vendia sua cachaça aos distribuidores. Sua produção era utilizada para pagar as contas do supermercado, açougue, funcionários, etc., que revendiam as garrafas, o que dificultava e muito a aquisição de uma destas.
Considerado um mito entre os produtores de cachaça, Anísio incorporou suas próprias técnicas à produção de cachaça de qualidade. Em sua produção, limitada a 10 mil litros anuais, apenas as partes mais maduras da cana são utilizadas e a cachaça descansa em tonéis de bálsamo por seis anos.
A cachaça batizada de “Havana” - mesmo nome da fazenda onde é produzida – passou a conquistar fama entre apreciadores em outros Estados e o nome, logo foi reivindicado como exclusividade por um fabricante de rum. A cachaça Havana passou então ao nome de seu criador “Anísio Santiago”.
Se uma garrafa de “Havana” já era cara e difícil de se encontrar devido à sua pequena produção, após a troca do nome, esta passou a raridade. Na época uma “Havana” chegava a ser negociada a R$ 800,00 entre colecionadores.
Em 1992 Anísio Santiago faleceu e seus filhos assumiram a produção da cachaça que é considerada a melhor e mais cara do mundo, mas que ainda fica longe do preço de um bom uísque. Uma garrafa da “Anísio Santiago” custa cerca de R$ 160,00 e na região de Salinas-MG segue sendo utilizada como moeda de troca pelos funcionários da fazenda Havana.

Pablo Schettini




domingo, 3 de abril de 2011

Real Food Market em Southbank Centre

E mais um dia de primavera em Londres!! São tantas as oportunidades de comer na rua (e é tão gostoso fazer isso) que nem dá vontade de ir para restaurantes. O post de hoje é sobre o Real Food Market, que acontece na frente do Royal Festival Hall (para quem leu o post sobre o pique-nique e ficou triste que perdeu o festival de queijos e vinhos, aí está a oportunidade de compensar a perda). Normalmente, a comilança é feita uma vez por mês, mas agora em maio ela acontecerá todas as semanas, de sexta a domingo. As lombrigas agradecem!!



Existem várias opções boas para comer: a raclette (a mesma do pique-nique do outro dia), comida marroquina, sanduíches, pães, doces, churros, etc. Uma perdição! Como eu ia para um pique-nique, decidi comprar umas coisinhas para levar. Acabei não resistindo à comida marroquina (stand do Doukan) e já me lancei nesse prato de frango com especiarias, iogurte e salada logo de cara. Não resisti: o moço do stand, super simpático, foi logo jogando um pouquinho do frango na minha mão para eu provar. Quase queimei a mão e pedi um guardanapo (como boa brasileira, "um guardanapinho aí, por favor?"), mas valeu a pena! Adorei os condimentos e não demorei muito para pedir um! Fiz uma sujeira, caiu frango por todos os lados, uma coisa...



Bom, já estava de barriga cheia e o pique-nique ainda nem tinha começado... Compramos um pão ciabatta e um homus do Arabica Food and Spice Company. Eu já tinha provado antes, pois no Borough Market eles também têm um stand. Uma delícia. Os sanduíches que eles fazem de falafel também são sensacionais: tudo fresquinho, super saboroso! Além dos salgados, pastas para colocar no pão, eles oferecem temperos, doces e tudo mais de comida árabe. Adoro!!




De sobremesa, ataquei as sobremesas de potinho da The Dessert Deli by Laura Amos (dessert cups). Comemos quatro: uma de framboesa, uma de morando, uma de chocolate belga e uma de banoffee (banana com caramelo). Um mais gostoso que o outro!! Pena que o de framboesa caiu na caixinha e não ficou bonito para aparecer na foto... (foi para a barriga mesmo assim...)






Para acompanhar a comida, um vinho... Tudo pronto para um pique-nique no parque!


Flá

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Já é Páscoa na Lindt


A Páscoa sempre foi o meu feriado favorito. Por incrível que pareça, isso nada tem a ver com o motivo religioso do feriado. Na verdade, gosto de sentir o cheiro da nova estação, a sensação de mudança e da prática de um ritual ingênuo e acolhedor. Por tudo isso, a Páscoa sempre foi um momento carino das lembraças da infância. Então, quando as decorações de Páscoa começaram a surgir nas vitrines dos cafés, lojas e docerias de Florença, fui tomada pela nostalgia desses momentos da infância. A Lindt já é uma perdição e assim, fofa, quem pode resistir?




Piazza del Duomo, 15
Firenze, Itália
Tel: 055/285181